Ao contrário do que se passa com a virgindade feminina, a virgindade masculina nunca é cobrada pelas diversas sociedades, sendo que o homem chega mesmo sofrer a pressão contrária
Ao contrário do que se passa com a virgindade feminina, a virgindade masculina nunca é cobrada pelas diversas sociedades, sendo que o homem chega mesmo a sofrer uma pressão contrária: no sentido de ter a primeira relação sexual. Além do mais, se um homem permanecer durante muito tempo virgem pode, inclusive, ser acusado de homossexual.
Contudo, a sociedade acaba por "cobrar", tanto relativamente a se manter a virgindade quanto a perdê-la, às mulheres e aos homens, respectivamente. Esta é uma atitude pouco saudável, já que há uma altura apropriada para cada indivíduo ter a sua primeira relação sexual, quando se sentir preparado. E a importância dada à virgindade deve partir de cada pessoa, baseada nas suas crenças, sejam elas religiosas, culturais ou pessoais.
No que respeita à forma como os homens encaram a virgindade, no modelo tradicional masculino a virgindade masculina era freqüentemente encarada com alguma vergonha e, algum caso reserva, pois sempre foi dada muita importância à capacidade da realização do ato sexual. “Para o adolescente, tornar-se e ser homem era muito uma medida da sua capacidade, ser potente, ser viril», explica o psicólogo clínico Vítor Branco.
Atualmente, «talvez o modelo masculino tenha interiorizado algumas características do modelo feminino, e os aspectos da ligação afetiva de proteção, não sexual, estão mais presentes», acrescenta. No entanto, o mesmo psicólogo argumenta que «a construção da identidade masculina ligada à potência, a competição e em determinada medida ao ato sexual, parecem ainda muito atuais. “Nessa perspectiva o que é desejado não é a virgindade, mas o contrário: ter relações sexuais.»
Tornar-se homem
De fato, segundo Luís F., «a virgindade, entre os homens, é encarada como tabu, pois o contacto sexual é visto como um passo para um rapaz se tornar homem». Luís, agora com 32 anos, teve a primeira relação sexual aos 12 anos, para ser aceite no grupo de amigos da escola. «Ao contrário da virgindade feminina, que é instigada pelos valores familiares, a virgindade masculina é socialmente reprovada», afirma este jovem.
«Um rapaz virgem, não diz abertamente aos amigos que o é, porque receia ser excluído ou gozado por determinada comunidade de amigos onde está inserido», refere Luís. Contudo, o psicólogo Vítor Branco explica que o fato de se dizer ou não aos amigos que ainda não se teve relações sexuais, «depende do grau de intimidade. Mas, dado que os adolescentes rapazes baseiam uma apreciável parte do seu relacionamento e do seu crescimento enquanto homens na competição sexual, obviamente admitir ser virgem pode ser sentido como um insucesso ou como uma desvantagem ou falta de atributos.»
Contudo, este sentimento de "gozo" entre os homens é mais evidente numa camada mais adolescente que numa mais adulta. «Todas as pessoas já foram virgens», comenta Vítor Branco, «por isso, não faz sentido reprovar quem ainda não tenha tido relações sexuais.» Apesar de ter deixado de ser virgem muito cedo, Luís não hesita em afirmar: «Não importa a idade com que se perde a virgindade, mas o sentimento que se tem quando se escolhe uma pessoa para ser a primeira a experimentar algo pela primeira vez e a maturidade de tomar essa decisão.»
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